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Sangue Quente - Isaac Marion

segunda-feira, 28 de abril de 2014 | 2 comentários
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Título: Sangue Quente
Autor: Isaac Marion
Editora: Leya
Ano: 2011
Páginas: 256
Sinopse:
Avaliação: 5/5 estrelas

Minha relação com zumbis nunca foi das melhores. Quem me acompanha no blog, sabe do que eu digo. Até hoje, não li nenhum livro que tenha me cativado profundamente de tal maneira a se tornar inesquecível.  Sangue Quente tinha tudo para se enquadrar nessa categoria.

A América passou por uma época de turbulência e conflitos sociais que ninguém sabe realmente sua causa. Como consequência, vive-se uma era apocalíptica e passou a ter a existência de zumbis. São seres que não tem lembranças de seu passado e são obrigados a perambular por um aeroporto, subindo e descendo escadas, considerados por eles a diversão. Ademais, passam os dias caçando, e quando comem seus cérebros, conseguem ter acesso a flashbacks das memórias de suas vítimas.

R é um deles. Ele não possui lembranças, mas tem sonhos. Sua vida muda quando conhece Julie, uma humana e a salva. Ele não sabe o porque de tal atitude, mas viu em Julie uma vivacidade e espontaneidade que nunca vivenciara anteriormente. Contradizendo todas as regras impostas, R acolhe Julie em sua morada. Dessa convivência, surge um sentimento. Amor, talvez? Sem saberem, a convivência entre os dois mudaram a vida deles e de muitas outras pessoas.

A própria sinopse do livro acusa o livro de um Romeu e Julieta apocalíptico. Minha prima, que me fez o empréstimo do livro, disse a mesma coisa. Apesar de tudo isso, todas as minhas experiências com zumbis foram cenários apocalípticos e fugas quase que diárias de um lado para outro. Histórias sem nexo e não cativantes. Quando comecei a ler Sangue Quente, encontrei exatamente isso. Tem como não gostar?

R, apesar de ser um zumbi, cativa o leitor pela sua simplicidade e seu jeito de ser. Quando conhece Julie, através das memórias de Perry, é como um adolescente descobrindo sua primeira paixão. Não consegue identificar seus sentimentos (praticamente no sentido literal), mas sabe apenas de uma coisa: cuidar de Julie. O relacionamento que surge entre os dois não é algo tão conveniente, mas mesmo assim não perde seu encanto.

Julie é o oposto de R: humana, jovem e destinada a ter uma vida normal, como qualquer adolescente. Podia se apaixonar por qualquer um, mas acaba escolhendo R. Por quê? Seu jeito único de ser e trata-la talvez sejam os motivos que levaram essa paixão. E como disse anteriormente, o encontro irá mudar suas vidas, e seus modos de enxergar o mundo, considerado para mim um dos maiores motivos em levar a história adiante. Sim, sou romântico, acredito em amor verdadeiro e da capacidade que ele tem em mudar a vida das pessoas. E Isaac mostra exatamente isso na história de Julie e R.

Isaac Marion aposta em originalidade. Seus personagens são cativantes, sua narrativa é diferente, mas fluida e sua história é bem construída, podendo atingir grande público. Foi ótimo conhecer R! (espero revê-lo em breve no filme que foi lançado, Meu namorado é um zumbi)

Para quem tiver interesse, segue abaixo o trailer da adaptação:



Orgulho e Preconceito e Zumbis - Jane Austen e Seth Grahame-Smith

sábado, 29 de junho de 2013 Nenhum comentário
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Título: Orgulho e Preconceito e Zumbis
Autores: Jane Austen e Seth Grahame-Smith
Editora: Intrínseca
Páginas: 315
Ano: 2010
Sinopse: Orgulho e preconceito e zumbis é uma versão ampliada do popularíssimo romance de Jane Austen, trazendo cenas inéditas com zumbis partindo crânios de pessoas vivas para devorar seus miolos. Na abertura desta história, ficamos sabendo que uma misteriosa praga se abateu sobre o tranquilo vilarejo de Meryton, na Inglaterra – e os mortos estão retornando à vida!
Nossa implacável heroína, Elizabeth Bennet, está determinada a eliminar a ameaça zumbi, mas logo sua atenção é desviada pela chegada do altivo e arrogante Sr. Darcy. O que se segue é uma deliciosa comédia de costumes, repleta de civilizados embates entre os dois jovens enamorados – além de batalhas um tanto mais violentas, em cenas nas quais o sangue jorra fartamente.
Conseguirá Elizabeth subjugar as crias de Satã? Poderá ela superar os preconceitos sociais da aristocracia local? Complementado com amor, emoção, duelos de espada, canibalismo e milhares de cadáveres em decomposição, Orgulho e preconceito e zumbis transforma uma obra-prima da literatura mundial em algo que você terá vontade de ler.

Releituras fazem parte do mundo literário atualmente. Tanto nos livros, quanto nos cinemas e nas televisões. Clássicos, como Romeu e Julieta, ganham novas versões todos os dias, para a nossa alegria e entretenimento. Não é que eu seja a favor de releituras. Mas que tornem a história mais imperdível que a original. Jane Austen é um clássico na literatura britânica. Seus livros são sucessos pelo mundo todo, com direito a adaptações cinematográficas. Seth Grahame-Smith dá um toque original e diferente ao pegar o principal livro de Austen, Orgulho e Preconceito, e distorcer um pouco. Resultado: Orgulho e Preconceito e Zumbis.
Elizabeth Bennet vive com sua família na cidade, lutando contra uma ameaça zumbi que se assolou. Todos estão sendo contaminados, e Elizabeth, graças a seu treinamento, consegue combatê-los da melhor maneira o possível. Mas eis que surge Sr. Darcy, o arrogante vizinho que quer atrapalhar tudo. A partir disso, muito sangue, matança e romance, junto e misturado.
Já li Orgulho e Preconceito e assisti ao filme. Sinceramente, ambos não mudaram minha vida, e eu esperava que o livro de Seth também não mudasse. E estava certo. O livro pode ter o melhor pontapé inicial, mas não quer dizer que conseguirá atingir seus objetivos. E não conseguiu.
Como eu disse anteriormente, não sou fã de releituras que denigrem a imagem da história original (ex: Opúsculo e Cinquenta Tons do Sr. Darcy). Apesar disso, tinha certas esperanças em relação a esse, mas me decepcionei. Esperava uma nova narrativa, um novo pano de fundo, um novo sentido para a história. Contudo, não foi o que encontrei. Na minha opinião, Seth pegou a história original de Austen (propriamente dita) e inseriu uma ou  outra cena de zumbi, para parecer “mais original”. Só que ficou literalmente um quebra cabeça. A inclusão dos zumbis, além de não ser o ponto fundamental da história, não trouxe nenhum valor para o livro. No inicio, algumas partes eram bacanas, mas ao longo da história, isso se mostrou monótono e cansativo.
Um dos pontos positivos (e únicos) foi os diálogos iniciais entre Elizabeth e Sr. Darcy, que achei hilários. Cenas em que ambos se atacavam verbalmente, eram as melhores. Apesar disso, só aparece no inicio do livro, e das cem páginas em diante, os diálogos somem, e fica apenas a narrativa. Isso contribuiu para a dificuldade de eu conseguir entrar na história, sentir e me envolver com os personagens.  Além disso, teve um ou outro diálogo na história que eu tenha gostado, em que o pai de Elizabeth diz que sua filha (Lizzie) foi criada para matar zumbis, e não se casar, fazendo uma critica a sociedade da época.
Algo que me desagradou bastante foi o distanciamento do ponto central da história original, que era o romance entre Elizabeth e o Sr. Darcy. Era como se em grande parte da história, o autor esquecesse do casal principal, e nas últimas cinquenta páginas ele tenha lembrado e dado mais enfoque ao casal. E além disso, se tornou algo muito forçado, em vez de espontâneo.
Muita narrativa, pouco diálogo, pouco romance, fatos desnecessários e contraditórios: isso se resume Orgulho e Preconceito e Zumbis. Para quem gosta, vale a pena dar uma olhada. Não fez o meu tipo, mas confesso que tenho curiosidade de ler os outros livros do autor.