A Casa das Orquídeas - Lucinda Riley

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013 Marcadores: ,

Autora: Lucinda Riley
Editora: Novo Conceito
Páginas: 560
Ano: 2012
Sinopse: Quando criança, a pianista Júlia Forrester passava seu tempo na estufa da propriedade de Wharton Park, onde flores exóticas cultivadas pelo seu avô nasciam e morriam com as estações. Agora, recuperando-se de uma tragédia na família, ela busca mais uma vez o conforto de Wharton Park, recém-herdada por Kit Crawford, um homem carismático que também tem uma história triste. No entanto, quando um antigo diário é encontrado durante uma reforma, os dois procuram a avó de Júlia para descobrirem a verdade sobre o romance que destruiu o futuro de Wharton Park... E, assim, Júlia é levada de volta no tempo, para o mundo de Olívia e Harry Crawford, um jovem casal separado cruelmente pela Segunda Guerra Mundial, cujo frágil casamento estava destinado a afetar a felicidade de muitas gerações, inclusive da de Júlia.Avaliação:  3/5 estrelas
 
Já não é de hoje que tenho certo receio com livros muito extensos. Antes de iniciar a leitura, fico imaginando de que maneira o(a) autor(a) irá conseguir sustentar a história por tanto tempo, sem conseguir enjoar ou cansar o leitor. Foi assim esse ano com Belle, A Irmã de Ana Bolena e não foi diferente quando decidi ler A Casa das Orquídeas. Era um romance que a curiosidade estava grande, principalmente pela temática e algumas resenhas que eu lera, bem positivas. No entanto, esse temor acabou se intensificando durante a leitura e nosso relacionamento poderia ter sido um pouco melhor.
Julia Forrester é uma pianista conhecida internacionalmente. Tinha uma vida estruturada e aconchegante até o dia, em que durante um concerto, recebe a notícia de que ocorrera um acidente e seu marido e seu filho haviam morrido. Seu mundo desmorona e ela não sabe o que fazer. Além disso, a morte da mãe ocorrida alguns anos antes intensifica sua dor. Diante dessa situação, seu caminho cruza com Wharton Park, residência que marcara boa parte de sua vida. Ali, encontra o novo proprietário, Kit Crawford, e acaba se envolvendo com ele. Como a residência estava a venda, devido a inúmeras dívidas, durante uma vistoria da casa eles acabam encontrando um diário, que ao que tudo indica, data da época da Segunda Guerra Mundial. Para conseguir compreender a história contida no diário, eles recorrem a vó de Júlia, Elsie. Seus destinos se cruzam com a história de Harry e Olivia, um casal que vivia um romance durante a guerra, mas que devido aos acontecimentos da época, foram obrigados a se separar. No entanto, segredos permeiam esse período, e caso sejam revelados, podem mudar toda a uma geração, atingindo até mesmo a vida de Kit e Júlia.
O romance de Lucinda Riley parecia ser uma leitura extremamente agradável, considerado um drama familiar. Confesso que os primeiros capítulos me agradaram profundamente, principalmente pela narrativa fluida e tranquila. Passei a gostar mais quando voltamos ao passado, e conhecemos a vida da família Crawford e de Olívia. Os bailes, as festas, os costumes: a narrativa de Lucinda tornava tudo mais encantador.
Começou a desandar quando Harry foi para a guerra. Pela sinopse, eu esperava uma linda história de amor, que por causa da guerra, foi obrigada a acabar. O que eu encontrei: um casamento arranjado, e uma sequência de cenas onde a relação era extremamente sem sentimento. Eu posso até compreender que a situação obrigava ao casal fazer isso, mas poderiam pelo menos ter uma relação de respeito e amizade.
A história continuou, entremeando passado e presente. Na verdade, o livro é dividido entre grandes blocos, onde um narrava a história de Julia, e o outro de Harry. No entanto, não se tinha tanta ligação entre o passado e o presente. Se surgiu um diário, era porque algum motivo, e poderia ter uma ligação com o momento que estavam passando. Resultado: duas histórias totalmente independentes, a não ser pela presença da avó de Julia, Elsie (para mim, a  personagem é de longe a minha favorita!).
Quando eu digo que é realmente difícil manter a história por tantas páginas sem cansar o leitor, mas ao mesmo tempo conseguir cativá-lo até o final, inclui as reviravoltas e as surpresas ao longo do texto. Eu até adoro livros com surpresas, mas que sejam adequadas a história e ao momento. Na história de Julia, as surpresas se concentraram em um grande bloco: acredito que em menos de cento e cinquenta páginas foram revelados pelo menos dois ou três segredos, que de certa maneira, tinham grande influência na vida dos personagens. E o que acabou acontecendo: aparecia, tinha seu momento, e depois era esquecido. Sabe aquelas músicas que surgem do nada, que a letra não faz sentido algum, ou que a essência dessas músicas são todas iguais, fazem aquele sucesso “tremendo”, mas que um mês depois já é esquecida? Ou até mesmo em novela das oito, onde se colocam certos acontecimentos para que consiga sustentar a história (#Lilifeelings). Pois é, as surpresas de A casa das orquídeas foram essas: segredos que surgiam do nada eram trabalhados na hora, e depois jogados numa gaveta. Sinceramente, eu tive a sensação de que Lucinda colocava aqueles “segredos” apenas para escrever algumas páginas a mais.
Lucinda consegue envolver seus leitores de maneira positiva. Sua narrativa é direta, objetiva e fluida. Curti bastante a parte das orquídeas, bem como conhecer o envolvimento da produção delas na Tailândia. Além disso, achei criativa a lenda que abre o livro, apesar de não entender muito qual é a relação com a história restante. Não se tornou meu livro favorito, mas fiquei empolgado para ler outras obras da autora.
 

1 comentário:

  1. Pois é, eu senti o mesmo se lembras da minha resenha. Não curti a junção das histórias, não curti o caminho que ela seguiu com a história do passado. Achei que foi uma mistura louca de dramalhão mexicano (nem a Globo consegue tanto).

    Me envolvi com Elsie e isso fez com que eu antipatizasse com sua história.

    Não acho que a escrita dela seja ruim, acho ótima, mas às vezes a gente precisa podar e encaminhar alguma ideias para o todo funcionar melhor.

    liliescreve.blogspot.com

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