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O Andarilho - Bernard Cornwell

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014 Nenhum comentário
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Título: O Andarilho
Autor: Bernard Cornwell
Série: A Busca pelo Graal #2
Editora: Record
Ano: 2012
Páginas: 461
Sinopse: Neste novo romance, a aventura começa em 1346. Os ingleses invadiram a França e os escoceses a Inglaterra. São tempos incertos e obscuros, e o primeiro que encontrasse o Santo Graal - uma espécie de tesouro guardado por anjos e procurado por demônios - seria considerado vitorioso. Thomas de Hookham, jovem arqueiro inglês, que aos 18 anos viu o pai morrer em seus braços após um ataque de surpresa, deixa a França, seguindo para as Ilhas Britânicas em busca do cálice e do assassino de seu progenitor. Filho bastardo do homem que dizem ter chegado mais perto que qualquer outro do cálice, Thomas tem uma grande e secreta vantagem sobre todos. Um diário escrito em latim, hebraico e grego - uma espécie de código - deixado por seu pai, que parece conter informações sobre o esconderijo do tesouro. Mas o destino parece desafiar o jovem arqueiro. Bernard de Taillebourg, inquisidor francês, está à caça de Thomas - e do precioso diário de seu pai. Para completar, por trás de Bernard está alguém ainda pior, o calculista Cardeal Bessières, que almeja o mais poderoso e supremo dos cargos, o papado, algo que só o Graal poderia garantir. Para isso, ele seria capaz de absolutamente tudo. Em sua busca desesperada, ele parece contar com o apoio de outros personagens de caráter duvidoso como o fanático Lorde de Roncelets e o lisonjeiro Conde de Coutances. Mas até quando? Até onde o poder do cálice pode corromper, destruir ou construir alianças? Por outro lado, o leal e determinado Thomas contará com o apoio do nobre inglês Lorde Outhwaite e do esgrimista escocês Robbie Douglas, na sua jornada.
Avaliação: 4/5 estrelas
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Ano passado conheci o trabalho de Bernard Cornwell. Com a leitura de O arqueiro, confesso que fiquei impressionado com o trabalho do autor, principalmente pela reconstrução histórica realizada. Seus livros são sucesso em todo mundo, principalmente a série As Crônicas de Arthur que reconta a história do Rei Arthur. Quando terminou as aulas no fim de 2013, decidi pegar os dois livros que concluíam a trilogia e estava disposto a ler nas férias. Apesar disso, acabei só conseguindo ler O andarilho, principalmente por que se encaixava no desafio Historiteratura no mês de fevereiro, que era ler um livro sobre a Idade Média. Além disso, enquadrava-se no Bola de Leitura, da categoria histórico da Inglaterra.

Após a Batalha de Crécy, Thomas está mais decidido de sua missão: achar o Graal. Juntamente do padre Hoobe e de Eleanor, sua mulher, ele parte em direção a um vilarejo onde ele pode encontrar informações sobre sua família, que ao que tudo indica, possuíra o Graal no passado. No entanto, ele descobre que não é o único a busca do objeto tão estimado. Bernard de Taillebourg, francês, frade dominicano e inquisidor, que também quer ter o objeto mais procurado da cristandade. Só que para não manchar suas mãos com sangue, ele não medirá esforços, mesmo que para isso tenha que justificar suas mortes dizendo que é em nome da Igreja. A busca de Thomas toma outros rumos, e o arqueiro inglês sabe que pode se tornar cada vez mais perigosa.

Como muitos dizem, em casos de trilogias, é o segundo livro considerado o divisor de águas. O primeiro é o introdutório, e o terceiro, o desfecho, sendo o segundo considerado, talvez, o mais importante. No caso de O andarilho, percebemos um maior desenvolvimento da história, só que não chegamos a um ponto conclusivo em boa parte do livro.

Todas as características ou maneira que Bernard constrói Thomas tornam o herói. Quando escrevi a resenha de O arqueiro ano passado, lembro que comentei a semelhança entre Thomas e Enzo, protagonista de Assassin’s Creed. Lendo O andarilho, me veio a lembrança de outro protagonista: Harry Potter. Os três têm muito em comum, e Bernard faz isso de propósito: Thomas muda muito ao longo dos dois primeiros livros, e a vida impõe que ele mude. Não é algo que ele queira: ele tem que assumir novas responsabilidades. Perde o pai, se vê em meio a uma busca de um objeto que não sabe mesmo se existe e em muitas situações não sabe em quem confiar. Amadurecimento nos personagens é um ponto que me conquista profundamente, e Bernard soube trabalhar bem essa questão.

No entanto, houve um pequeno problema que me atrapalhou a leitura desse livro: temos um ponto de partida, mas não conseguimos ter uma linha de chegada. Bernard traça a história ao longo de quase 500 páginas, mas em muitos momentos, não chega a uma conclusão. A história acaba indo de um lugar para outro, sem que tenhamos perspectiva do que pode acontecer. Consegui sentir isso apenas na reta final, quando a história realmente se torna mais ágil e envolvente.

Apesar disso, não posso deixar de comentar as cenas de batalha, que mais uma vez, me surpreenderam. Só imagina você reconstruir uma batalha que ocorreu há quase 700 anos atrás? Pois é, Bernard Cornwell faz exatamente isso. Ao final do livro, ele traz uma nota histórica, dando, para o leitor uma noção do que aconteceu ou o que foi ficção. Só que a maneira que ele narra as cenas, com todo aquele aparato de armas e estratégias, dão ao leitor uma noção bem grande do que era esses eventos durante a Idade Média.


Bernard Cornwell escreve mais um capítulo da saga de Thomas Hookton. Empolgante, bem delineado, apesar de algumas falhas ao longo da leitura, Bernard se consagra na minha estante, mostrando o seu trabalho primoroso, com personagens controversos e bem construídos (destaque principalmente para o frade De Taillebourg). Fiquei bem curioso pela leitura do próximo livro, O herege.

Marina, de Carlos Ruiz Záfon

terça-feira, 28 de janeiro de 2014 | 2 comentários
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Título: Marina
Autor: Carlos Ruiz Záfon
Editora: Suma de Letras
Ano: 2011
Páginas: 189
Sinopse: Neste livro, Zafón constrói um suspense envolvente em que Barcelona é a cidade-personagem, por onde o estudante de internato Óscar Drai, de 15 anos, passa todo o seu tempo livre, andando pelas ruas e se encantando com a arquitetura de seus casarões. É um desses antigos casarões aparentemente abandonados que chama a atenção de Oscar, que logo se aventura a entrar na casa. Lá dentro, o jovem se encanta com o som de uma belíssima voz e por um relógio de bolso quebrado e muito antigo. Mas ele se assusta com uma inesperada presença na sala de estar e foge, assustado, levando o relógio. Dias depois, ao retornar à casa para devolver o objeto roubado, conhece Marina, a jovem de olhos cinzentos que o leva a um cemitério, onde uma mulher coberta por um manto negro visita uma sepultura sem nome, sempre à mesma data, à mesma hora. Os dois passam então a tentar desvendar o mistério que ronda a mulher do cemitério, passando por palacetes e estufas abandonadas, lutando contra manequins vivos e se defrontando com o mesmo símbolo - uma mariposa negra - diversas vezes, nas mais aventurosas situações por entre os cantos remotos de Barcelona. Tudo isso pelos olhos de Oscar, o menino solitário que se apaixona por Marina e tudo o que a envolve, passando a conviver dia e noite com a falta de eletricidade do casarão, o amigável e doente pai da garota, Germán, o gato Kafka, e a coleção de pinturas espectrais da sala de retratos. Em Marina, o leitor é tragado para dentro de uma investigação cheia de mistérios, conhecendo, a cada capítulo, novas pistas e personagens de uma intrincada história sobre um imigrante de Praga que fez fama e fortuna em Barcelona e teve com sua bela esposa um fim trágico. Ou pelo menos é o que todos imaginam que tenha acontecido, a não ser por Oscar e Marina, que vão correr em busca da verdade - antes de saber que é ela que vai ao encontro deles, como declara um dos complexos personagens do livro.
Avaliação: 5/5 estrelas

Marina é o livro proposto para janeiro no desafio Bola de Leitura
Espanha - Suspense

Carlos Ruiz Zafón é conhecido no Brasil pelos seus livros carregados de mistérios e segredos, dentre eles A Sombra do Vento e O Jogo do Anjo. No entanto, outros livros também merecem destaque, sendo um deles Marina, lançado pela Editora Suma de Letras. Presenteado pela minha prima, decidi iniciar a leitura desse, principalmente por ser um livro mais rápido de ser lido. Pelo menos foi isso que eu esperava. E eu encontrei muito mais.
Óscar Drai é um jovem de 15 anos que vive no internato, juntamente de colegas e dos padres. Encantado e ao mesmo tempo intrigado pelos casarões que existiam ali na redondeza, Óscar decide adentrar um deles. Lá dentro, o jovem se encanta com o som de uma belíssima voz e por um relógio de bolso quebrado e muito antigo. No entanto, ele se assusta com uma inesperada presença na sala de estar e foge, assustado, levando o relógio. Alguns dias depois, retornando a casa para devolver o relógio, conhece Marina, a jovem de olhos cinzentos que vive ali junto de seu pai doente, Gérman e seu gato, Kafka. Marina o leva a um cemitério, onde uma mulher coberta por um manto negro visita uma sepultura sem nome, sempre à mesma data, à mesma hora. Determinados a desvendar o mistério que envolve aquela senhora, Marina e Óscar perambulam pelas ruas de Barcelona a procura de respostas e explicações para os acontecimentos que passam a fazer parte da vida dos jovens, principalmente na de Óscar. Ademais, Óscar acaba se afeiçoando de tal maneira de Marina e Gérman, principalmente da menina. Juntos, viveram perigos e aventuras, desvendando e trazendo a tona segredos há muito tempo guardados.
Faz um bom tempo que eu lera os outros livros do autor. Lembro que na época, os elementos das histórias de Záfon eram únicos, criativos e originais, o que me cativou profundamente. Suas histórias eram totalmente diferentes de tudo aquilo que eu já tinha lido. E foi exatamente isso que encontrei também em Marina.
Narrado sob a ótica de Óscar, Marina nos leva a Barcelona da década de 1980, aos casebres, as ruas escuras e sombrias, a aquela atmosférica quase que gótica. Óscar tem sua rotina baseada no internato onde vive, juntamente de seu melhor amigo, JF. Záfon construiu um protagonista cativante, seja pela sua necessidade de aventura e seu sentimento de curiosidade, seja pela sua coragem ou até mesmo pelos seus sentimentos por Marina.
Além de tudo, Óscar é carente. E aí é que entra Gérman e Marina. Ao longo da história, percebemos um laço de amizade que se fortalece aos poucos, tornando os dois parte da família do garoto. Não havia lido a sinopse, então, não sabia o que esperar da história. A principio imaginava que Marina e seu pai tinham algum segredo que pudesse deixar Óscar em perigo. No entanto, fui surpreendido de maneira positiva. Para não estragar a surpresa, deixarei para que o leitor realize a leitura e descubra por si mesmo.
Só posso adiantar que Záfon cria situações e histórias paralelas de tal maneira que só tem a contribuir para o desenvolvimento da história central. Sua narrativa é marcada pelo mistério e sombria a ponto de ter me deixado alarmado e empolgado. Apesar disso, não é uma narrativa fluida: é extremamente detalhista, e em alguns momentos, carente de diálogos. Mesmo assim, isso não interfere diante da maneira com que ele conduz. Marina é uma personagem também bem construída, principalmente pelo papel que ela representa para Óscar. O sentimento de amizade que surge entre os dois é repleto de valores como lealdade e companheirismo.

Marina é profundo, misterioso e ao mesmo tempo seduz o leitor. Apesar de o título sugerir algo, a história segue por outros rumos. Záfon consegue conduzir a história de maneira a deixar qualquer leitor satisfeito. Durante a leitura, me pegava imaginando como seria uma adaptação cinematográfica e acho que seria uma boa pedida!